
Entenda o que muda com a nova Medida Provisória
No fim de março de 2025, o Governo Federal publicou uma Medida Provisória que estabelece um reajuste de 9% no soldo dos militares das Forças Armadas. A correção será feita em duas parcelas:
📌 Abril de 2025: +4,5%
📌 Janeiro de 2026: +4,5%
O aumento é válido para todos os militares ativos, inativos e pensionistas, e foi recebido com expectativa por boa parte da tropa.
Mas… será que esse reajuste representa um ganho real?
O que dizem os números?
Vamos a um exemplo prático:
Um soldado engajado, que atualmente recebe R$ 1.926, passará a receber:
R$ 2.013 em abril de 2025
R$ 2.103 em janeiro de 2026
Já um general, com soldo atual de R$ 13.471, passará a:
R$ 14.077 em abril de 2025
R$ 14.711 em janeiro de 2026
À primeira vista, parece uma boa notícia. Mas, quando colocamos a inflação na equação, o cenário muda de figura.
Inflação acumulada x reajuste real
De acordo com dados oficiais, a inflação acumulada entre 2016 e 2024 ultrapassou 47%.
No mesmo período, os soldos cresceram muito menos — o que significa que, mesmo com o reajuste anunciado, o poder de compra dos militares continua menor do que era quase uma década atrás.
Ou seja:
📉 O aumento nominal não acompanha a perda real causada pela inflação.
Essa defasagem impacta diretamente quem depende exclusivamente do soldo ou da pensão, especialmente nas bases da hierarquia militar, onde o salário já é mais limitado.
Qual o impacto prático disso?
Além da perda de poder de compra, os baixos reajustes alimentam um ciclo de desvalorização da carreira militar:
A evasão de praças e graduados mais jovens tem crescido;
O desinteresse por concursos militares aumenta em algumas regiões;
Militares da reserva enfrentam dificuldades financeiras maiores a cada ano.
Para muitos, o reajuste soa mais como um alívio simbólico do que como uma valorização concreta da carreira.
E agora? O que o militar pode fazer?
📌 Informar-se é fundamental.
Acompanhar medidas provisórias, portarias e atualizações legislativas é parte essencial da vida de quem vive sob o Regime Militar.
📌 Planejamento financeiro é indispensável.
Entender os impactos dos reajustes, das pensões e das regras de aposentadoria pode ajudar a evitar surpresas no futuro.
📌 Valorização profissional é um direito.
A luta por reconhecimento e remuneração justa continua sendo uma pauta legítima. E cada avanço só acontece com mobilização e diálogo.
Conclusão: Reajuste é importante, mas não resolve tudo
O reajuste de 9% no soldo traz algum alívio, mas não reverte os anos de defasagem salarial. Na prática, os militares seguem perdendo poder de compra, especialmente os de menor patente.
Enquanto isso, a discussão sobre a valorização real da carreira militar continua sendo necessária — e urgente.